"Ando muito desanimada da vida. Acordo muito traumatizada invadida pelo inconsciente."
Lygia Clark

 


Lygia Clark na Pinakotheke


A obra de Lygia Clark esteve presente no Projeto “OS CAMINHOS DA ARTE ENTRE A FRANÇA E O BRASIL”, realizado pela Pinakotheke Cultural em 2009, Ano da França no Brasil e da comemoração dos 30 anos da instituição. Entre o Rio de Janeiro e São Paulo, a exposição atraiu 8.300 visitantes entre 18 a 23 de agosto, na sala especial do Salão de Artes da “A Hebraica”em SP, e de 30 de setembro a 12 de dezembro na sede da Pinakotheke, rua São Clemente 300, em Botafogo.

Na ocasião, foram editados dois livros: o catálogo da exposição (bilíngue: português e francês) com textos do curador e editor Max Perlingeiro, do crítico e historiador Cláudio Valério Teixeira e uma biografia sucinta de cada artista com referência ao período em que viveu na França. E, um livro homônimo, de autoria da professora Nereide Schilaro Santa Rosa, destinado ao público infanto-juvenil.

A Exposição

Segundo Max Perlingeiro , a exposição foi pensada, sem nenhuma pretensão de esgotar o assunto, para mostrar a trajetória dos artistas brasileiros na França, sua formação, a influência no seu trabalho, e a contribuição decisiva sobre a sua obra, no momento em que se comemorava o ano da França no Brasil.

As obras foram selecionadas de coleções públicas e privadas das cidades do Rio de Janeiro, de São Paulo, Ceará, Alagoas e Paris. A mostra foi apresentada em três segmentos distintos:

“Modernos antes do Modernismo”. Artistas oriundos da Academia Imperial das Belas Artes ou da Escola Nacional de Belas Artes. Viajaram como bolsistas do Império, com a ajuda do Estado ou com ajuda dos amigos. Artistas ativos no século XIX até a primeira metade do século XX.

“Os Modernos”. Desde a primeira exposição modernista de Lasar Segall em 1913; Anita Malfatti, em 1917; a Semana de Arte Moderna de 1922; e artistas ativos entre a década de 1930 até os dias atuais.

O terceiro segmento foi um tributo ao fotógrafo Alécio de Andrade. Esta sala traduziu a intenção de homenagear nossos artistas, através da lente deste notável fotógrafo brasileiro que escolheu Paris como sua grande fonte de inspiração, entre eles Lygia Clark.

A exposição mostrou uma grande diversidade de técnicas e processos da arte: pinturas, desenhos, gravuras, esculturas, fotografias, colagens e os objetos sensoriais de Lygia.

Dentre as obras selecionadas, os Objetos Sensoriais “Pedra e ar”, “Respire comigo”, “Diálogo de mãos” e “Máscaras sensoriais” de Lygia. Com base em objetos manuseáveis que criava ou recolhia da natureza como balões de ar, sacos de terra e água e até pedras que pensava terem o dom de curar os males da alma. Certa feita, uma aluna entrou em transe profundo, e caiu desmaiada, durante uma das sessões da arte-terapia na Sorbonne, em Paris, na década de 1970.

Lygia foi uma das artistas homenageadas e os seus objetos expostos não foram apresentados como curiosidade, mas dentro do contexto da exposição − artistas brasileiros na França −, a produção da artista neste período. E, fundamental, a possibilidade de o público interagir com as obras de arte: esta era a intenção da artista dentro do seu processo de criação.

As visitas escolares sempre foram um diferencial nas atividades de arte-educação da Pinakotheke Cultural, lembra Max.

Em parceria com o programa “Amigos da Escola”, a exposição “OS CAMINHOS DA ARTE ENTRE A FRANÇA E O BRASIL” recebeu alunos das escolas públicas e privadas da Educação infantil, Ensino fundamental – 1 e 2 – e Ensino médio. Todas as visitas foram guiadas por monitores treinados para um melhor aproveitamento. Estas visitas totalizaram 830 crianças e adolescentes. Dentre as escolas recebidas: Escola Municipal Pedro Rodrigues do Carmo de Duque de Caxias, CIEP Anita Malfatti, Escola Municipal Solano Trindade, Escola Municipal São Bento, Centro Israelita de Educação e Cultura, entre outras.

O processo de criação de Lygia Clark sempre despertou uma grande curiosidade no público. A possibilidade de assistir a um filme antológico, com a narrativa didática da artista como “Memória do Corpo”, dirigido por Mário Carneiro, e o convite para interagir com os “objetos sensoriais” foi uma das atrações mais comentadas da exposição, diz Max.