"Quando fiz o caminhando em 1963, já tinha consciência do problema do ato e da imanência. Me perguntava se qualquer gesto na vida, poderia adquirir magia como era a experiência do caminhando."
Lygia Clark

 


Lygia Clark, em busca do próprio caminho - Santarém, Portugal


Lygia Clark , em busca do próprio caminho
Jardim da Liberdade in Santarém, Portugal

Lygia Clark - 1963

"O que eu gostaria de fazer é o seguinte: levar os bichos para Portugal e fazer de lá até onde possa chegar, exposições em praças públicas. A tese de Ana de que o público (povo) é subestimado na sua real receptividade em relação a arte é válida e sentida evidentemente por mim também.

Seria uma maneira de provar ser esta uma arte “verdadeiramente participante” no mais alto sentido. Faria fotografias de cada local de exposições e levaria vários caminhando para que eles participassem em busca do seu próprio caminho. Compraria um trailer que se chamaria “caminhando” e faria uma espécie de excursão de ciganos. Como eu adoraria “ Seria a maior aventura da minha vida. Tenho que organizar isto. Para isto eu teria que levar alguém que falasse várias línguas, que tivesse força física e pudesse me ajudar dirigir o carro.

Os meus planos iniciais para os bichos não incluíam Museus nem “Marchants”. O que eu queria era fazer montes deles pôr à venda até nas esquinas por camelos. Mario Pedrosa disse ser um suicídio mas bem que estou arrependida pois acho que era o que deveria ter feito mesmo. Talvez este plano agora desta viagem é uma espécie de retomada da minha posição pois meu desejo é que todos possam dialogar com os bichinhos. Tenho certeza de que a gente do povo vai gostar deles pois aqui se dá a mesma coisa como o Português que aqui veio para comprar a maquina de funileiro. Perguntando-me o que fazia com esta máquina, mostrei o bichinho sem dizer nada. Ele olhou e pegando nas mãos virando-o de todos os lados disse: - Que interessante, não tem avesso...”

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